quarta-feira, 17 de março de 2010

Poluição matou os rios de Salvador

Na Lagoa da Paixão, no subúrbio de Coutos, do lado direito da rodovia BA-528 (Estrada Paripe/Base Naval), o banho de rio ainda faz parte das atividades de lazer da comunidade local. A lagoa é a principal nascente do Rio do Cobre, que forma parte do sistema de abastecimento de água de Salvador, através da barragem do mesmo nome, e corta todo o Parque de São Bartolomeu, até desaguar na Enseada do Cabrito, na Península de Itapagipe, orla sul de Salvador.

O Rio do Cobre é o único, dos que existem em Salvador, que ainda tem vida, mesmo assim com uma série de riscos, por causa do processo de devastação da vegetação em suas margens e, principalmente, dos esgotos lançados por dezenas de invasões ao longo do trajeto de mais de dez quilômetros até a foz. As palafitas de Novos Alagados é a maior delas e neste trecho o rio se transforma em um córrego de puro esgoto, que contribui para a poluição da Enseada dos Tainheiros.

Outros rios em Salvador - Rio das Pedras, Trobogy-Jaguaribe, Paraguari, Camurugipe e seus afluentes -, ou desapareceram, como os vários cursos de água na área da Avenida Paralela, ou foram transformados em canais de esgotos e confinados, na maior parte do seu trajeto, em galerias subterrâneas, como os rios das Tripas e Lucaia.

Imagens perdidas

Dos grandes rios que cortavam a cidade no sentido oeste-leste, nenhum deles oferece condições de balneabilidade e piscosidade, muito menos de potabilidade. Tomar banho ou beber de suas águas é altamente arriscado para a saúde. O maior deles, o Camurugipe, percorre 14 quilômetros, desde a sua nascente, em Boa Vista de São Caetano, até a foz, na Praia do Costa Azul, num trajeto de intensa poluição, causada, principalmente, por despejos dos esgotos residenciais de dezenas de favelas que existem dos dois lados de suas margens.

O Camurugipe já foi um dos principais mananciais de abastecimento de água da cidade, até a década de 70, quando o último dos seus diques, o do Calabetão/Mata Escura, foi fechado, por ter se transformado em uma imensa bacia de esgotos. Igual situação aconteceu com o Rio das Tripas, que é um dos principais afluentes do Camurugipe, encontrando-o na altura da Rótula do Abacaxi. Recebendo esgotos das encostas de Brotas, do IAPI e da Cidade Nova, o rio, que tem outro afluente no Largo dos Dois Leões, corre, a maior parte do trajeto, em galerias subterrâneas, exalando mau cheiro nos trechos a céu aberto.

Na Paralela, o Rio das Pedras foi dividido pela Avenida Luís Viana Filho (Paralela) e suas nascentes, nos fundos do quartel do 19º BC do Exército, no Cabula, só resistem devido à presença da unidade militar, que mantém preservada a mata em volta do quartel, usada como campo de treinamento. Contudo, a partir do Imbuí até desembocar na Praia da Boca do Rio, o rio alterna trechos de alta poluição, com outros que ainda oferecem condições de vida para a fauna e flora. Na área que vai do Imbuí até Mussurunga, margeando a Avenida Paralela, vários pequenos rios foram represados e transformados em lagoas, restando apenas, praticamente morto, o Trobogy, que nasce em Águas Claras com o nome de Cascão, sendo denominado Jaguaribe quando atinge a orla, na altura de Piatã.

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