CATÁSTROFE DO RIO TOCA A TODOS NÓS.

Nova Friburgo, a cidade mais atingida, contabiliza pelo menos 247 mortos, segundo Secretaria de Estado da Saúde e da Defesa Civil. Em meio a boatos sobre saques, os moradores precisam lidar com o medo de assaltos e arrastões, boatos sobre invasões de delegacia e falsos alarmes sobre o rompimento de represas. O sistema de telefonia está em pane desde a madrugada de terça (11), mas a prefeitura criou um site para informar a população sobre os dados.
A cidade foi destruída, o comércio ainda não voltou a funcionar e, somente agora, a população começa a sair de casa para comprar mantimentos, água e tentar conseguir combustível. “O pessoal enche o tanque com medo de acabar e não sobra nem para os carros de resgate”, diz o professor de jiu-jitsu Fábio Moraes, 33. “Perdi mais de cem amigos. Alunos e amigos de infância. Está um caos.”
O número de mortos congestiona os IMLs (Instituto Médico Legal) dos municípios atingidos. Em Nova Friburgo, os sobreviventes carregam os caixões e formam um congestionamento nas ladeiras do cemitério São João Batista, único da cidade que não ficou ilhado. Os feridos enterram os mortos. Muitos deles poderão ser enterrados sem identificação.
Como voltou a chover, e a previsão é de novos temporais nos próximos dias, o risco de novas enxurradas e deslizamentos preocupa as autoridades locais, que ainda trabalham para desobstruir estradas, retomar o abastecimento de água e atender os moradores que já perderam suas casas.
No município de Sumidouro, foram registradas 18 mortes, todas na localidade rural na cidade de Campinas. Uma pessoa está desaparecida e cinco estariam soterradas. A prefeitura, que havia divulgado um total de 20 mortos, corrigiu a informação no início da noite desta sexta. O prefeito da cidade afirmou que pelo menos 300 famílias estão em áreas isoladas.
Em São José do Vale do Rio Preto, a Polícia Civil confirma 4 mortes. Moradores ilhados foram resgatados com a ajuda de botes pelos bombeiros.
Dificuldades nos resgates
Nesta sexta (14), o governador do Rio, Sérgio Cabral, sobrevoou Teresópolis e Petrópolis e afirmou que os resgates serão feitos até de rapel. "Foi um desastre natural de proporções nunca vistas, mas agora é dizer 'não' à ocupação irregular. É um dever dos municípios e do Estado dizer não, fazer esse 'dever de casa' para impedir que mais vidas sejam perdidas", afirmou.
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