quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MARCELO SANTANA COMENTA: NÃO É AFRODITE, É IEMANJÁ!



Já nas primeiras horas da manhã de quarta-feira (02), os pescadores da Colônia Z-57 de Lauro de Freitas e candomblecistas estavam reunidos para preparar os balaios com os presentes que seriam levados à Rainha do Mar, Iemanjá, nas águas tranqüilas da Praia de Buraquinho.

Os diversos balaios ornados com flores, perfumes, espelhos e milho branco, sob o cântico de centenas de pessoas, foram preparados para a entrega dos presentes que ocorreu segundo os rituais do candomblé, acompanhados também com toques de samba, numa emocionante manifestação de fé e devoção. A festa, promovida pelos pescadores e devotos, sempre contou com o apoio institucional da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, da Secretaria Municipal de Gabinete e o apoio irrestrito da Prefeita Moema Gramacho.

A TRADIÇÃO NO RIO VERMELHO – A tradição começou em 1923, com um grupo de apenas 25 pescadores, que ofereceram presentes, para agradar a Mãe D'Água, pois os peixes estavam escassos.

No início, era chamada de Festa da Mãe D'Água e realizada em conjunto com a Paróquia do Rio Vermelho, num sincretismo religioso típico da Bahia. Na década de 60, um vigário fez uma homilia contra o sincretismo e teria chamado os pescadores de "ignorantes", por cultuarem uma mulher com rabo de peixe, a sereia, como é representada a Iemanjá na Bahia. A partir daí, os pescadores decidiram homenagear apenas a orixá. E a Igreja de Santana fica sempre fechada no dia 2 de fevereiro.

A FESTA - Desde a madrugada de hoje, adeptos do candomblé, turistas e devotos formaram filas para colocar oferendas e pedidos nos balaios, que ficam na Casa do Peso. No fim da tarde, um cortejo com algumas embarcações levará para alto-mar os balaios, carregados de presentes, pentes de plásticos, espelhos, sabonetes, perfumes, flores, e até jóias falsas. Tudo o que possa interessar a uma mulher vaidosa. A comissão organizadora dos festejos do Rio Vermelho estimam que mais de 150 mil pessoas deverão reverenciar Iemanjá até o final da tarde e iniciao da noite.

SIMBOLOGIA - O sincretismo, é a Nossa Senhora da Conceição. É a entidade feminina mais importante do candomblé. No simbolismo afro-brasileiro, a divindade é representada como uma mulher de grande ventre e seios volumosos com uma gamela na cabeça. Na Bahia, é representada pela imagem da sereia. A dança de Iemanjá, na cerimônia do candomblé, é solene, cheia de ondulações e graciosidade, semelhante ao movimento das águas do mar.

Dizem os pescadores que, se os balaios não afundarem, é sinal de que Iemanjá não aceitou a oferenda. Em terra, fogos anunciam o cortejo, enquanto adeptos do candomblé dançam e sambam e muitos recebem suas entidades espirituais. Bela cerimônia! Os batuques de samba-de-roda e afoxés animam as ruas, durante todo o dia, na festa de largo, nas proximidades do Largo de Santana, da Igreja, nas ruas laterais e na Mariquita. Barracas vendem bebidas e comidas típicas da Bahia.

Quando se fala de beleza, alegria, suavidade e a doce vaidade feminina quem incorpora tudo isso e muito mais é Iemanjá e não Afrodite. Salve a Rainha do Mar. ODOIÁ!

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